SÉRIE TECNOLOGIAS PARA FERIDAS: O ALGINATO

Continuando nossa série sobre tecnologias, vamos ao mago das águas, o Super alginato. Salvador dos marinheiros. Essa substância é usada para muitos propósitos, não sendo exclusividade do universo das feridas. Siga lendo e veja que conteúdo legal. Deixe seus comentários ao final.

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De onde vem o alginato?

 

O ácido algínico e seus sais, extraídos de algas marinhas, têm sido utilizados para vários propósitos comerciais tais como1:
estabilizante e espessante na indústria alimentícia (estabilizar a espuma da cerveja e controlar a viscosidade de sopas e molhos de saladas);

  • alimento de animais e peixes;
  • fertilizante agrícola;
  • preparações tópicas e soluções orais como laxantes e antiácidos;
  • adjuvante na fabricação de vacinas e componentes de moldagem na odontologia, entre outros.

No tratamento de feridas, suas propriedades curativas são conhecidas há vários séculos, sendo tradicionalmente denominadas como “a cura dos marinheiros”.1 Porém, foi somente em 1881, que o químico britânico Standford extraiu o ácido algínico.2 A fibra que se produzia na época era usada, principalmente, na indústria têxtil, sendo somente uma pequena parte aplicada em cirurgia e feridas. 1

Morgan, 1996,1 numa revisão da literatura referente ao alginato, constatou que foi somente a partir de 1948 que inúmeras publicações foram realizadas sobre sua aplicação em feridas de diferentes etiologias, ressaltando-se suas propriedades como agente hemostático tanto para prevenção quanto para controle de hemorragia e, bem como sua aparente ausência de toxicidade.

Na década de 70, o alginato passou a ser produzido sinteticamente, todavia devido aos custos elevados para essa produção, limitou-se a sua utilização por quase uma década. Com o avanço nas técnicas de produção e na melhor compreensão do processo de reparação tecidual, a partir da década de 80 ressurgiu o interesse por essa tecnologia, sendo a marca Sorbsan® a primeira a ser comercializada, em 1983.1

O alginato tem sido uma cobertura amplamente usada até os dias de hoje, e diversas marcas foram desenvolvidas a partir de então, com variação da sua composição na quantidade de ácido manurônico e gulurônico e dos íons de cálcio e sódio.

Existem quatro principais grupos de algas marinhas (verde, azul, vermelha e marrom). Os alginatos acontecem naturalmente como uma mistura de sais de ácido algínico encontrada principalmente na forma de sódio em certas espécies de algas marrons denominadas Phoeophyceae (feofíceas), incluindo: Macrocystis pyrifera (sargaço gigante); Laminaria digitata (sargaço rabo de cavalo); Laminaria Saccharina (sargaço doce). O rendimento da produção de alginato é de 20 a 25%, dependendo da espécie.1

A alga que é usada para produção de curativos é coletada principalmente das águas do arquipélago Hebrides, localizado na costa oeste da Irlanda, mas também de muitas outras costas marinhas ao redor do mundo.1

A estrutura do ácido algínico consiste na união de cadeias lineares de resíduos de ácido manurônico e do ácido gulurônico arranjados em blocos lineares. A proporção dos ácidos varia de uma espécie para outra. O alginato rico em ácido gulurônico forma um gel forte, mas quebradiço, enquanto o curativo rico em ácido manurônico é mais fraco, porém mais flexível. Esta proporção é importante, pois afeta a estrutura do polímero, por conseguinte a reologia, a formação do gel e a propriedade de troca de íons.1

Ao analisar as marcas de placas de alginato, verifica-se uma variabilidade das proporções dos ácidos e dos íons. Alguns possuem somente cálcio, outros cálcio e sódio. Todavia tanto as bulas quanto a própria literatura sobre feridas não são suficientemente esclarecedoras quanto ao processo realizado industrialmente.

 

O processo de fabricação

Para a fabricação da fibra de alginato é realizada uma reação de troca iônica.
A extração da alga marinha é feita com a utilização de diluentes de base alcalina, resultando na formação de um pó de alginato de sódio que, por ser solúvel em água, transforma-se numa solução coloidal viscosa. Essa solução é passada por um fino orifício para uma banheira que realiza movimentos giratórios, contendo íons de cloreto de cálcio. Assim, as fibras são precipitadas em alginato de cálcio insolúvel, sendo essa uma reação de decomposição dupla simples.1

Uma reação reversa ocorre quando as fibras de alginato de cálcio são colocadas em uma solução contendo excesso de íons de sódio. Os íons de cálcio das fibras são trocados por sódio e, assim, o material torna-se solúvel. Deste modo, quando em contato com o soro plasmático ou com o exsudato da ferida, o alginato de cálcio, que é insolúvel, é parcialmente convertido para um sal de sódio solúvel. Um gel hidrofílico é então formado sobre a ferida promovendo um meio úmido ideal para a reparação tecidual, e uma troca de curativo sem dor.1

 

A indicação para feridas

O alginato é uma cobertura absorvente, conseguindo reter de 15 a 20 vezes seu próprio peso em exsudato.1 Assim sendo, deve ser aplicada em feridas que apresentem exsudação moderada a elevada. Seu uso é indicado em feridas de diversas etiologias, sejam superficiais ou profundas, agudas ou crônicas, sangrantes ou não, com ou sem infecção. Com relação às feridas infectadas, escolher àqueles associados com antimicrobianos, pois terão melhor efetividade no tratamento.

O alginato pode estar associado a outras formulações como hidrogéis, hidrocolóides e colágeno. Sua apresentação também pode ser em pó, todavia a mais usual é em fibra, em forma de tira ou placa.

Quando na utilização em fibra, a recomendação de troca varia entre três a sete dias no máximo, ou quando estiver saturado. Ressaalta-se que dificilmente durará sete dias, dada sua principal indicação.

Em feridas altamente exsudativas, poderá durar menos que 24 horas, devendo o profissional avaliar adequadamente essa variável para determinar a periodicidade de troca.

Na prática, ao ser o exsudato transferido para o curativo secundário significa a saturação da fibra. A sua aplicação em feridas com baixo volume de exsudato provocará aderência completa no leito da ferida, ocasionando dor e perda da função do curativo.

Com relação às propriedades hemostáticas do alginato, é a presença do íon de cálcio que contribui no desencadeamento e evolução da via intrínseca da cascata de coagulação e, consequentemente, no controle do sangramento.

Existem muitas marcas no mundo e no Brasil que possuem essa tecnologia, que também tornou-se muito comum.

Espero que você aprecie, deixe seus comentários e encaminhe para a rede social de alguém.

Meu apreço a você que chegou até aqui e leu.

Dra Beatriz Farias Alves Yamada

Enfermeira (graduada em 1989) Estomaterapeuta e Dermatológica
Doutora e Mestre em Enfermagem pela EEUSP
Pós-graduada em Aromaterapia
Pós-graduanda em Ozonioterapia
Escritora, palestrante, professora
Empresária, proprietária das empresas byCorpus e IBYamada

 

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Referências

  1. Morgan D. Alginate dressings. Journal of tissue vaibility 1996; 7 (1).
  2. Standford E. On algin: a new substance obtained from some of the commoner species of marine algae. Chemistry News 1883; 47: 254-257. In: Morgan D. Alginate dressings. Journal of tissue vaibility 1996; 7 (1).

OBS: no material original, contribuíram comigo as enfermeiras: Cláudia Cristine de Souza Gonçalves; Maria Gabriela Secco Cavicchioli; Kelly Cristina Strazzieri Pulido; Rosangela Aparecida de Oliveira; Suely Rodrigues Thuler.
Acréscimos foram realizados nesse conteúdo atual.

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