Nem tudo que parece é – o enigma da brincadeira da foto.

Fiz essa foto esses dias, e como seu contorno estava muito interessante, resolvi lançar uma brincadeira nas redes sociais (Facebook e Instagram) durante o carnaval, com uma pergunta: O que você está vendo aqui? A resposta era deixada nos comentários, e aquele(s) que acertasse(m), mediante a realidade e minha percepção inicial, participaria do sorteio de produtos da by Corpus.

As respostas foram inúmeras, divertidas e interessantes. Divertidas, porque acabei dando muitas risadas. Interessantes, porque mostra a singularidade do ser humano com sua percepção. O mesmo fenômeno pode ser interpretado de diferente modos. As vezes isso causa até problemas interpessoais, e se tratando de numa fotografia vista de modo virtual, mais riscos se corre, pois, fotografia em si, já nos dá possibilidade de viajar, e quando ambíguas ou pouco definidas nos deixam com a imaginação mais ativa – pela falta de estruturação da imagens.

Um lugar bom de treinar a percepção é a natureza, pois nos possibilita viajar e fantasiar. Quem nunca olhou para nuvens e encontrou formas de várias coisas? Figuras humanas, animais e objetos são facilmente percebidos por qualquer pessoa. Eu ainda curto fazer esse exercício quando olho para o céu, especialmente no banco do carona nas estradas.

Diz-se que Leonardo da Vinci gostava se fazer isso com seus alunos. Eles deveriam olhar manchas em muros e dizer o que percebiam. Rorschach foi além, criou umas pranchas com tintas e dela saiu uma prova de análise da personalidade. Ao olhar as pranchas, pela percepção e projeções, vê-se figuras inclusive em movimento. De cada mancha pode aparecer inúmeras figuras, e muitas delas são consideradas vulgares, ou seja, é vista por muitas pessoas. Na nossa brincadeira de carnaval, a figura mais percebida foi uma “bota”. E essa também foi a primeira imagem formada em meu cérebro quando a vi no chão da garagem do meu domicílio, e por isso tirei a foto para deixar em meu acervo pessoal de podiatria, pois uma bota como essas dá um grande trabalho para cuidados das onicomicose.

Para não ficar tão informal, deixe-me colocar um pouquinho de teoria. O que vem a ser percepção? “Conjunto de funções psicológicas que permitem ao organismo adquirir informações quanto ao estado e às mudanças de seu ambiente graças à ação de sentidos localizados em órgãos especializados, como a visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato”, além da sensibilidade proprioceptiva e interoceptiva”. A percepção é complexa e unifica uma multiplicidade de sensações”1. É preciso usar os sentidos para perceber algo, e em nossa brincadeira, o sentido usado foi a visão, e ainda vista de modo virtual, embora com possibilidade de ampliar o campo de visão proporcionado pelas ferramenta usadas.

Para perceber, “o ser humano precisa associar as informações sensoriais à memória, de modo a formar conceitos sobre o mundo e sobre nós mesmos e orientar nosso comportamento”, envolve processos complexos ligados à memória, à cognição e ao comportamento2

Por esses conceitos, verifica-se que é um tema bem complexo. Cada um com suas experiências de vida e arsenal de memória produz sua interpretação de modo mais objetivo ou subjetivo. Viva a singularidade.

Vamos às respostas deixadas pelas pessoas que se motivaram a brincar. Apenas copiei e colei as do Facebook, e as do Instagram tive que digitar. Os dados foram coletados até ontem (5/3/19). Não há identificação das pessoas aqui, mas seus nomes já estão presentes nas redes sociais.
A colocação aqui não visa qualquer interpretação, pois está fora de contexto de análise. Apenas desejamos ser transparentes com a brincadeira, visto que envolve um sorteio.


1) Resposta do Facebook


Da by Corpus -Público heterogêneo interessado em assuntos de higiene e hidratação

– Uma mancha de sangue suor e cerveja 😲.
– O lugar de uma chave que mostra a lua.
– Água no chão.✳️
– Uma meia.
– Um casal namorando e tendo a lua por testemunha!!! Hummmmmm como sou romântica né?
– Máscaras de Carnaval no chão.
– Formigueiro
– Uma rachadura na parede, onde ao fundo a lua e as estrelas.
– Café.
– Uma luz dentro de um túnel.
– Vejo uma fenda numa rocha que está com água, porém essa fenda tem formato de uma bota kkkkkk.✳️✳️
– Uma parede rachada cm uma luz do outro lado.
– Uma fenda no muro.
– Diz uma amiga que é um buraco na calçada, estou convencida que seja.
– Parece uma bota creio que é bota.
– A lua vista por uma fresta🤔
– Eu vejo uma poça de água refletindo a lua. ✳️
– Pó de café
– Uma Luz no fim do túnel
– uma bota
– uma bota
– Um bando de curiosos ….. Que não sabem nada


Do IBYamada – público na sua maioria enfermeiros interessados em assuntos da estomaterapia e podiatria
– Uma bota…rs
– Um buraco no chão com água em forma de uma bota, e o reflexo do flash da câmera.✳️✳️
– Parece um formato de uma perna com insuficiência venosa, apresentando lipodermatoesclerose.
– Um pé, seguido da perna.
– Úlcera erosiva com ranhuras e pele ressequida circunscrita.
– Foto bem de pertinho de uma pedra de colar ou pulseira.
– Eu ia dizer que uma Lua vista por um buraco em forma de perna mas essa luz deve ter sido o reflexo do flash da câmera…rsrs
– A silhueta de uma perna e o pé.
– Uma lesão de pele
– Necrose de coagulação
– Uma bota
– Um formato de uma perna.
– Um cimentado remendando um buraco
– Uma perna e um pé.
– Parece um buraco em forma de perna com uma lua ….

Da PodiatriCare – público heterogêneo, formado por profissionais e pessoas com interesses em assuntos dos pés

– Tô vendo uma foto da lua cheia pelo buraco de uma parede velha.
– Um pé e metade da perna

2) Respostas no Instagram

Da byCorpus
– Sinal em uma pele.
– Buraco no chão que remete a figura de uma bota, o mesmo está com água dentro e refletindo o flash da câmera do celular. ✳️✳️✳️
– Uma poça d’água com reflexo da lua.✳️
– Reflexo da lua em uma poça de água.✳️
– Lua
– Um geodo
– Um geodo
– Eu vejo um buraco no teto com a Lua.
– Melanoma!!
– Cachorros
– Uma Perna
– Eu acho que é uma pessoa sentada.
– Uma noiva.
– Sinal na pele.
– Sinal da pele.
– Uma pessoa sentada.


Do IBYamada

– Reflexo da lua
– Poça de água no chão, refletindo à luz da lua.✳️

– Buraco no chão com água e flash do celular de reflexo. ✳️
– To vendo uma bota de cano longo muito estranha que reflete a luz do flash.🤔
– Uma bota.
– Desenho no formato de uma bota, em uma parede antiga e deformada pelo tempo.
– Um orifício onde se pode ver a lua e algumas estrelas.
– Uma bota
– Uma chapa de aço corroída pelo tempo e forças externas, formou uma área de desgaste, com formato de uma bota, que se encontra no momento cheia de água. ✳️
– Um buraco em uma pedra em forma de bota, cheia de água refletindo a luz da câmera. ✳️✳️✳️
– Parece um chão de cimento com um buraco desgastado que ficou em formato de uma bota com água que dá para ver o reflexo da lua ou algum tipo de luz…🎯
– Uma perna necrosada.
– Um lugar onde havia uma perna com uma bota. Provavelmente amputada numa explosão.
– Um buraco em forma de bota com água dentro. ✳️✳️
– Uma claraboia para observar as estrelas.
– vendo um buraco no teto em forma de uma bota que dá pra ver a lua e estrelas.

Da byPsycheCoach– Uma bota

– Um buraco que permite ver o céu, vejo a lua e as estrelas..

– Uma bota kk.
– Um buraco no teto e da para ver a luz e as estrelas.
– Bota.
– Uma mancha de água na calçada em formato de bota. ✳️✳️
– Uma bota
– Um buraco na calçada.
– Parte de um labirinto.
– Uma bota.
– Um túnel?
– 😘👋🏻👋🏻👋🏻👋🏻👋🏻👋🏻👋🏻👋🏻👋🏻Uma perna com sapato. 😂😂😂😂😂.
– Meia bota.
– Meia bota
– Eu vejo a lua e estrelas tb.
– Eu vejo uma bota.
– Uma bota de Unna depois que tirou da ferida kkkkk.

Resultado:
A foto foi tirada no chão da garagem, onde havia uma poça de água que criou uma imagem com contornos definidos a semelhança de uma bota (foi a minha percepção). O ponto brilhante é reflexo da luz.
Diante das múltiplas respostas dadas, várias pessoas também tiveram a impressão que era uma bota. Aquelas que estão com esse símbolo (✳️) foram as que perceberam algum conteúdo do tema; as com ✳️✳️ ou ✳️✳️✳️ incluíram mais dados. Contudo a resposta que mais aproximou realidade, conhecida apenas por mim, foi essa:

Parece um chão de cimento com um buraco desgastado que ficou em formato de uma
bota com água que dá para ver o reflexo da lua ou algum tipo de luz…”.

Por isso, ganhou esse símbolo🎯. E é essa a pessoa que ganhará um kit de produtos da by Corpus (1 sabonete íntimo e um creme para as pés e mãos).

Gostei muito de tudo isso.
E agradeço as pessoas que participaram.

Dra Beatriz F Alves Yamada – PhD
Psicóloga – Coach – Enfermeira ET


Fontes de consulta
1. Galimberti U. Dicionário de psicologia. Edições Loyola, 2010.

2. Lent R. Cem bilhões de neurônios? Conceito fundamentais de Neurociência. Atheneu, 2010. Pág. 613.

Experiências de viver com o “intestino do avesso”

O dia 16 de novembro é uma data nacional de comemoração da pessoa com estomia.

As estomias são aberturas de algum órgão do corpo realizadas cirurgicamente, sempre com a finalidade de preservar a função. Muda-se a anatomia, mas o funcionamento daquele órgão é preservado. Logo, salva-se a vida.

As estomias mais comuns são aquelas realizadas nos intestinos. Através de uma abertura na parede abdominal o intestino é exteriorizado, evertido e suturado (costurado) na parede, expondo, assim, a mucosa intestinal. Isso tudo é cicatrizado com alguns dias, protegendo-se a parte interna do corpo. As fezes passam diretamente por esse orifício para o meio externo e são coletadas num equipamento acoplado a pele, chamado popularmente de ‘bolsa’ de estomia.
Para essa eversão intestinal, estou aqui dando o significado de ‘intestino do avesso’, pois me lembrei da campanha da epidermólise bolhosa que faz a provocação com o ‘virar do avesso’.
Em português o termo correto é “estomia”. Contudo é comum o uso de ‘ostomia’, especialmente entre as próprias pessoas com a derivação.

Uma estomia trás sem dúvidas mudanças de todas as ordens na vida de uma pessoa. Cada tipo com suas peculiaridades, mas as intestinais podem trazer mais aversão em função do conteúdo fecal exalar odor. Lidar com fezes é sempre algo cheio de ecas desde as primeiras experiências de um ser humano. A mãe limpa o bebê, mas geralmente as reações não são de que delícia, que cheiro bom, que maravilha…
Não preciso explorar isso, certo? Todos bem sabemos das reações que temos dentro de um sanitário.

Nessa matéria eu não quero falar de coisas negativas. Porque todas as coisas na vida tem duas faces. Posso diante de um fenômeno explorar mais aspectos negativos que positivos. Contudo, uma visão mais negativas dos fatos causam mais efeitos emocionais deletérios.

Para celebrar esse dia, quero deixar as falas de pessoas que são estomizadas. E desde que já as agradeço por terem se interessado pelo meu pedido e enviarem seus textos e fotos.

Desejo vida longa e bem-estar a todas as pessoas com estomia no Brasil e ao redor do mundo. Decido também ao meu amigo Rufo ( in memoriam) e a minha querida Ana Cris (in vida).

Meu apreço.

Dra Beatriz Farias Alves Yamada
Estomaterapeuta – COREN 49515
Psicóloga Clínica – CRP 06/127735

Selma Torquete – Ileostomia definitiva desde 2005.

Aos 23 anos de idade, fui diagnosticada com Retocolite Ulcerativa. A partir daí comecei o tratamento com o Proctologista, devido as cólicas abdominais e sangramento nas fezes. O tratamento foi intenso, por 20 anos, porém, não escapei da cirurgia.

Foi desesperador quando me vi com uma bolsa de Ileostomia acoplada no meu abdômen. Tinha certeza que aquilo era o fim da linha para mim, minha vida virou dos avessos, já não existia alegria e nem razão para viver.

Aos 44 anos de idade, sem esperança de sobreviver por conta das ocorrências após 4 cirurgias, com perda de peso e muitas dores, entreguei minha vida nas mãos de Deus.

Foi a melhor coisa que fiz na minha vida, pois estava cercada de muito carinho dos familiares e amigos, conheci pessoas que foram e ainda são o meu apoio e meu chão.

Aos poucos fui aprendendo a lidar com a situação, graças às dicas e o apoio das voluntárias da AOMSP – Associação dos Ostomizados do Município de São Paulo, onde mais tarde me tornei uma voluntária por três anos e meio, foi de grande importância esse convívio com a Associação, pois foi com eles que aprendi dar a volta por cima e consegui encarar os obstáculos e recomeçar e principalmente aceitar.

Hoje, aceitando a situação e superando os obstáculos, posso me considerar uma vencedora, trabalho ainda aos 57 anos, uso condução ônibus, metrô, tento ser o mais alegre e companheira possível, gosto muito de curtir a família e os amigos, de viajar e principalmente de agradecer a Deus, que nunca me abandonou, por todo momento vivido e por aqueles que ainda hão de viver.

Moral da minha história: “ Viver um dia de cada vez e ser feliz sempre.”

Acredite sempre, mesmo que o sol não esteja brilhando, porque ‘a força de acreditar é capaz de destruir a escuridão’.


Maria Rita Silva – 48 anos nutricionista/SP, Ileostomia desde 2013

Hoje, eu sempre comemoro a vida pois, graças à ileostomia definitiva, que ganhei desde 2013, por conta de complicações da Doença Inflamatória Intestinal e, carinhosamente chamada de Mel, minha companheira do dia a dia, consegui melhorar minha qualidade de vida e viver melhor.

Hoje, eu comemoro, sim, a pessoa ostomizada que luta pela vida e não desiste de ser feliz em meio a tantas dificuldades, que qualquer um de nós pode passar independente de ser ou não ostomizado. Eu comemoro cada dia vencido com muito orgulho.

Comemoro muito a oportunidade em conhecer pessoas tão especiais que me mostraram que ser ostomizado não é o fim da vida e sim que podemos muito e que, apesar de qualquer dificuldade, vale a pena viver e lutar pelos nossos sonhos.

Após a cirurgia eu consegui terminar o curso universitário concluindo a graduação em Nutrição. Atualmente, sempre que tenho oportunidade, eu auxilio pacientes em sua nova vida como ostomizado. Fazer o bem ao próximo nos faz bem, e procuro fazer tudo que eu gosto: sair com amigas, dançar, ir à praia e, lógico, namorar!

Afinal, a vida, meu bem é para ser vivida pois pode, num sopro se acabar, então “Viva la Vida”.


Edna Pereira (Eda)

Me chamo Edna e tenho 49 anos. Há quase 28 anos, fui diagnosticada com Doença de Crohn e durante todo este período, passei por muitos altos e baixos, como a maioria dos colegas que também convivem com esta doença.

Passei por muitas internações e cirurgias, e entre elas, uma ileostomia e uma colostomia.

Talvez, eu pudesse ter considerado estes detalhes como uma desgraça, mas ao invés disso, resolvi dar GRAÇAS por tudo de bom que Deus permitiu acontecer na minha vida, apesar de tudo que passei.

A ostomia me permitiu mais qualidade de vida, principalmente, depois que conheci outros ostomizados que passaram pela mesma situação e me ajudaram à aceitar a nova condição. Depois da aceitação, me permiti aprender à viver o que for possível, da melhor maneira possível.

Obviamente, a ostomia não foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, mas sem dúvidas, muitas coisas maravilhosas me aconteceram, depois que me tornei uma mulher ostomizada.

Por que celebrar novembro azul?

Segundo a estimativa do Instituto Nacional de Câncer para 2016, no Brasil teriam mais 61.200 novos casos de câncer de próstata, sendo este o que mais afeta os homens1. Nos Estados Unidos esse é terceiro tipo e foram estimados para 2017, segundo a American Cancer Society (ACS), 161.360 casos novos, com 26.730 mortes2. Essa mesma entidade, ACS, registra uma relação de dignóstico de 1:7. Ou seja, um a cada sete homens serão diagnosticados com câncer de próstata durante a vida, especialmente em idosos, cuja relação aumenta ainda mais, 6:10 em homens com idade igual ou maior que 65 anos. É um tumor raro em homens abaixo de 40 anos. A idade média dos homens, quando diagnosticados, é de 66 anos2.

O câncer de próstata afeta os homens, pelo simples fato de apenas homens terem essa glândula, que se localiza perto da bexiga, ureta e reto e tem função de secretar líquido que compõe o sêmem que é nutridor e protetor dos espermatozóides. Por isso sua retirada traz as consequências urinária e sexual.

O risco desse tipo de câncer aumenta com a idade, com história familiar do mesmo tipo de câncer e também sobrepeso e obesidade, mas tal risco pode ser reduzido ao se adotar um estilo de vida saudável (atividade física, boa alimentação, não para tabagismo e evitar consumo de álcool). Os sintomas apresentados relacionam-se a dificuldade de urinar, demora em começar e terminar de urinar, sangue na urina, diminuição do jato de urina, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite2,3 .
Ressaltando... veja o quanto a alimentação rica em vegetais pode nos proteger de doenças e o quanto comidas processadas e cheias de conservantes podem nos enfraquecer. Hipocrates tem toda razão ao dizer:

“Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio”

 

É preciso ir ao médico para avaliação e diagnóstico. Muitos homens hesitam em se consultar, por preconceito ou receios, quanto ao exame de toque retal. Exame esse tecnicamente simples, que auxiliará o urologista na avaliação do tamanho e textura da glândula e o norteará para solicitação de outros exames para confirmação de sua hipótese dignóstica. Com um toque é possível detectar alterações na glândula. E a detecção precoce do tumor pode favorecer a realização de procedimentos operatórios menos agressivos ao corpo, diminuindo as consequências para a saúde do homem decorrentes do procedimento operatório, tais como a disfunção erétil e a incontinência urinária, com todo seu desdobramento emocional.

Há divergência entre os especialistas em fazer ou não rastreamento, não pela realização do exame em si, mas por outras consequências de resultados falsos positivos, por exemplo2,3,4. O rastreamento seria por uma campanha pública.

Rastreamento a parte, ir periodicamente ao um urologista deve partir de um interesse pessoal do homem. Em minha visão feminina e de profissional de saúde, assim como a mulher vai constantemente a um ginecologista, um homem poderia adotar a mesma prática e ter seu urologista de confiança. Não deixar de ir ao médico por receio do exame retal. Não procurar ajuda apenas quando houver sintomas.

Na ausência de sintomas, numa consulta inicial, um bom papo com o urologista já poderá ser muito útil, e com o estabelecimento de um vínculo profissional afrouxar-se-iam a resistência, medos e tabús. Confiança numa relação profissional é tudo e apenas se confia em alguém convivendo com ele. Nesse caso, profissionalmente falando, indo a consulta a vinculação tem tudo para acontecer. É preciso também que o profissional seja sensível e empático.

Como dito antes, uma das consequências da retirada da próstrata é a incontinência urinária (IU), cujo grau de perda pode variar de uma pessoa para outra, a depender do comprometimento anatômico devido a operação. Num estudo sobre prevalência com uma amostra de 746 homens submetidos a prostatectomia radical, 172 (23%) ficaram com IU depois de 12 meses de operado5. Anos depois da operação, além da IU, consequências emocionais também são encontradas, tais como distresse e hiper excitação6. Tais efeitos são potencializados pela perda urinária e as alterações sexuais. O distresse é encontrado em vários estudos científicos de segmento de homens prostratectomizados.

Perceba. Um homem com tais compromentimentos necessitará além de seu médico, assistência especializada de outros profissionais como estomaterapeutas ou fisioterapeutas atuantes em incontinência, psicológos ou sexólogos. Tais profissionais são importantes para ajudarem esse homem a fortalecer o corpo e alma e o capacitar para um viver melhor. Livre de um câncer, mas vivo para viver uma vida ressignificada.

Dada a alta incidência desse câncer em nosso país, promover campanhas como o novembro azul é importante para ampliar a consciência do homem para mudar seu estilo de vida e ter um viver saudável, ir ao consultório médico para examinar-se, munir-se de toda informação e colocar em prática. Tais medidas podem impedir que o câncer apareça, e se por ventura acontecer, que tenha a felicidade de ser dectado o mais precocemente possível, ser assistido em todas as suas necessidades e restabelecer-se para viver de modo pleno.

Compartilhe e colabore com o novembro azul!

Dra Beatriz F Alves Yamada – PhD, Ms

Psicóloga Clínica- CRP 06/127735
Enfa Estomaterapeuta – Coren-SP 49.517

www.institutobeatrizyamada.com.br


Fontes Consultadas

1.http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/tabelaestados.asp?UF=BR
2. https://www.cancer.org/cancer/prostate-cancer.html
3.http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/comunicacao/cartilha_cancer_prostata_2017_final_WEB.pdf
4. http://www.inca.gov.br/releases/press_release_view_arq.asp?ID=1967
5. Tienza A, Robles JE, Hevia M, Algarra R, Diez-Caballero F, Pascual JI. Prevalence analysis of urinary incontinence after radical prostatectomyand influential preoperative factors in a single institution. Aging Male.2017 Aug 31:1-7. doi: 10.1080/13685538.2017.1369944.
6.Egger SJ, Calopedos RJ, O’Connell DL, Chambers SK, Woo HH, Smith DP. Long-term Psychological and Quality-of-life Effects of Active Surveillance and Watchful Waiting After Diagnosis of Low-risk Localised Prostate Cancer. Eur Urol. 2017 Aug 26. pii: S0302-2838(17)30699-1. doi: 10.1016/j.eururo.2017.08.013.

 

Setembro verde e a Prevenção de Câncer colorretal

O câncer colorretal (CC) interessa para várias áreas do saber, dentre estas: a medicina, a nutrição, a estomaterapia e a psicologia.

Em função do setembro verde, quero salientar esse tema nessa matéria. Já tenho uma vivência de 19 anos assistindo pessoas que sofreram CC e que necessitaram derivar seu instestino para o abdomem. Vejo seus sofrimentos, dores e angústicas, mas também a luta pela vida. Constato que a maioria de meus clientes tem sido capaz de superar as dificuldades impostas pela doença, buscando um novo sentido à experiência.

Quão frequente é esse câncer?

Olhei aguns estudos científicos para pontuar a sua incidência. Em cada país pode ser diferente, estando os casos em crescimento ou até redução. Apenas para exemplicar, no Japão o CC é o mais incidente dos cânceres – 6,654 casos, com 16,0% 1; na China, ocupa o quarto lugar (28,64%), dentre dos dez principais 2; na Austrália está havendo aumento da incidência em faixas estárias mais jovens3, o que mostra uma preocupação na saúde pública. Já no Brasil, numa avaliação de casos entre 1980-2013, constatou-se que o CC tem tido aumento das taxas de sua mortalidade nas últimas três dácadas4. Isso é bem preocupante, não é?

O que causa o câncer colorretal?

É difícil saber, porque câncer em si pode ter diferentes causas. E o CC certamente não é diferente. Mas encontro um estudo nacional que aponta uma relação com o estilo de alimentação, estando aumentado naqueles que consomem mais carne e menos de vegetais, frutas e grãos integrais5. Então, é bom pensar que o que comemos pode fazer toda diferença em nossa saúde. “Que nossa alimentação seja nosso próprio remédio”.

A inserção da estomaterapia nessa área

O câncer colorretal é a maior causa de realização de estomias intestinais. Quando não há mais a possibilidade de refazer a comunicação do intestino (a anastomose), os cirurgiões necessitam abrir uma boca no abdomem (estomias) para poder ser eliminado o conteúdo fecal e, assim, permitir que vida continue.

Não se pode jamais esquecer que as estomias são a essência de um Estomaterapeuta (ET), porque foram destas que a especialidade se originou há mais de 50 anos. A pessoa estomizada, seja definitiva ou temporariamente, necessitará dos bons cuidados e orientações de um ET para aprender a lidar com seu novo corpo. Isso inclui a manipulação da estomia, os cuidados com a pele, familiarização com os equipamentos coletores, reforço na orientações sobre a nutrição, a vida social e íntima, acolhimento emocional, entre outros. Um ET, usando seu saber em educação em saúde e sua sensibilidade e empatia, ajuda a pessoa com estomia a assumir seu autocuidado, a fim de alcançar a melhor reabilitação possível. Assumir o autocuidado é imperativo para devolver a autonomia e o controle de próprio corpo.

A atividade de um ET já deve ser iniciada antes mesmo da cirurgia, orientando, tirando as dúvidas do paciente e realizando a demarcação do estoma, para que o cirurgião possa implantar no melhor lugar possível. Isso será fundamental para a segurança posterior do paciente, além de mais economia de recursos financeiros, sendo um direito daquele e um dever do médico e do ET. Lamentavelmente, essa prática tem sido muito negligenciada em nosso país. Eu nunca recebi um cliente que tenha me referido ter sido demarcado no pré-operatório. Há 19 anos eu faço a mesma pergunta, e a resposta tem sido a mesma: Não sabe. E claro que o paciente lembraria porque esse é um procedimento no qual o paciente participa ativamente.

Enfim, um ET será sempre um grande aliado de um paciente estomizado e com ele permanecerá em toda a sua trajetória, tendo mais ou menos necessidade de cuidados. Se você está lendo essa matéria e não conheceu um ET ainda, não hesite em econtrá-lo. Talvez você esteja fazendo rituais com seu estoma que não são as melhores práticas de cuidados. Há vários pelo Brasil. Também não deixe de procurar uma associação de estomizados e encontrar pessoas que possam enriquecer sua experiência.

Um olhar ao psiquismo

Embora a estomia seja o que possibilite manter a vida, não há dúvidas que a pessoa sofre alteração na sua imagem corporal, pois a anatomia e função estão modificadas e, portanto, precisará ressignificar esse corpo e integrar essa experiência no seu psique-soma. Dessa ressignifação dependerá a melhor adpatação da pessoa à nova condição corporal, especialmente se definitiva.

Verifica-se que quanto mais jovem a pessoa e maior peso do corpo, mais alteração na imagem corporal pode ser encontrada, sendo os homens os mais afetados. Na primeira condição, isso se dá pelo fato das pessoas mais jovens terem mais preocupação com sua aparência e estarem mais ativas na vida social e sexual. Já quanto a obesidade, a dificuldade está em ajustar as vestimentas6. Nessa questão da obesidade, destaca-se outra dificuldade que as Estomaterapeutas têm para adequar os equipamentos coletores, e também o fato dessas pessoas correrem sempre riscos das suas bases se solteram da pele e haver estravazamento do conteúdo fecal, causando-lhes enorme, constrangimento, pricipalmente se ocorrer em ambientes públicos. Para isso se faz necessária a demarcação do sítio do estoma, conforme referido acima. Mas, por vezes, os pacientes e seus familiares estão emocionalmente tão invadidos pela notícia do câncer, que as demais questões ficam secundárias. Considero que cabe aos profissionais o cuidar de cada detalhe do presente, a fim de diminuir os problemas adiante.

A depressão e a ansiedade podem se fazer presentes nesses pacientes6, necessitando atenção psicológica e por vezes psicoterapia. Diante disso, é importante que os profissionais mais próximos dessas pessoas, como médicos e enfermeiros, percebam as necessidades emocionais dos pacientes e os referendem para os psicológos ou psicanalistas. O melhor é que isso fosse feito já no pré-operatório. Todavia, há sempre um dose de preconceito da população em geral de realizar terapia individual ou mesmo em grupo. Assim sendo, por vezes grupos de acolhimento podem ser úteis e bem mais aceitos. Indubitavelmente, que se um profissional da área psi estivesse mais próximo dos seres humanos quando nessa ou em outras necessidades da vida, o enfrentamento dos problemas poderiam ser mais facilmente resolvidos ou minimizados. Os pacientes poderiam se tornar mais empoderados para o enfrentamento das vicissitudes.

 

O Setembro verde

Diante no exposto, considero que essas são boas razões para mais divulgação nas mídias a respeito do câncer colorretal. Assim, viva o setembro verde. Pode ser verde de verdura, vegetais, mas, também, verde de esperança em mudança no estilo de vida da população e com ela vislumbrar-se a redução da ocorrência de uma doença que tem potencial para ser prevenido.

Invista na sua saúde. Alimente-se bem e evacue bem também, pois a alimentação rica em fibras, a ingestão de líquidos, compatível ao peso corporal, e a evacuação das fezes, em posição correta, poderão ser aliadas na prevenção desse câncer. Desse modo, uma estomia pode ser evitada e a imagem de seu corpo ser mantida do modo como veio ao mundo, com cada órgão no seu lugar. Mas, se você já tem uma estomia devido ao CC ou por outra razão, aceite a vida recebida e viva-a em toda sua plenitude, ressignificando sua existência num corpo com uma modificação que não incapacita o viver.

Colabore com a campanha. Compartilhe!

Dra Beatriz Farias Alves Yamada – PhD, Ms
Estomaterapeuta – COREN-SP 49.517
Psicóloga clínica – CRP 06/126735

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Referências citadas

1.Nakagawa-Senda H, Yamaguchi M, Matsuda T, Koide K, Kondo Y, Tanaka H, Ito H. Cancer Prevalence in Aichi, Japan for 2012: Estimates Based on Incidence and Survival Data from Population-Based Cancer Registries. Asian Pac J Cancer Prev. 2017 Aug 27;18(8):2151-2156.
2. Zheng R, Zeng H, Zhang S, Chen W. Estimates of cancer incidence and mortality in China, 2013. Chin J Cancer. 2017 Aug 17;36(1):66.
3. Troeung L, Sodhi-Berry N , Martini A, Malacova E, Ee H, O’Leary P, Lansdorp-Vogelaar I, Preen DB. Increasing Incidence of Colorectal Cancer in Adolescents and Young Adults Aged 15-39 Years in Western Australia 1982-2007: Examination of Colonoscopy History. Front Public Health. 2017 Jul 24;5:179. doi: 10.3389/fpubh.2017.00179. eCollection 2017.
4. Oliveira RC, Rêgo MA. MORTALITY RISK OF COLORECTAL CANCER IN BRAZIL FROM 1980 TO 2013. Arq Gastroenterol. 2016 Apr-Jun;53(2):76-83.
5. Angelo SN, Lourenço GJ, Magro DO, Nascimento H, Oliveira RA, Leal RF, Ayrizono Mde L, Fagundes JJ, Coy CS, Lima CS. Dietary risk factors for colorectal cancer in Brazil: a case control study. Nutr J. 2016 Feb 27;15:20.
6. Jayarajah U, Samarasekera DN. Psychological Adaptation to Alteration of Body Image among Stoma Patients: A Descriptive Study. Indian J Psychol Med. 2017 Jan-Feb;39(1):63-68.

Fonte da foto destacada: google imagens