Por que OSTOMIA está errado?

Nossa tendência é acreditar no que lemos e ouvimos. Mas, por vezes, existem erros coletivos que vão sendo passados de geração em geração, sem serem questionados. O mundo está cheio disto. Vez por outra, crenças caem por terra, inclusive na ciência. Claro! A ciência é feita por humanos, e humanos erram. Eu erro, todos erramos. Não é mesmo?

Assim acontece com termos. Um exemplo:
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chamamos Sonda Vesical de Demora. Isso é errado. Sonda não tem abertura interna, logo, a urina não irá passar. O certo é cateter vesical de demora. Idem para nasogástrica. Mais um: sonda de gastrostomia, para o que deve ser tubo/cateter. E assim vai…

Outra questão é que assumimos termos de outras línguas sem verificar se temos como incorporar em nossa língua materna daquele jeito. Na verdade, nem prestamos atenção, vamos falando, escrevendo e vai ficando popular.

Isso ocorre com o termo OSTOMIA. Importamos no passado da literatura inglesa. E lá se usa OSTOMY. Não me pergunte se eles estão certos. Mas foi bem fácil traduzir, bastou mudar o Y pelo IA. E assim fomos levando a vida: ensinando, publicando, dando nome às instituições. Inventamos também o ostomizado (que também não existe na língua portuguesa).

Deixa eu contar uma história. Um dia li um artigo mostrando inúmeros erros que cometemos na terminologia usada na medicina. E eis que lá está a OSTOMIA. Isso foi 2004, eu era presidente da SOBEST, e tudo nosso era ostomia, claro!

O que fazer? Buscar uma entidade que entendesse bem de nossa língua para um parecer. E assim foi feito. Recebi a resposta da razão pela qual ostomia não estava certo, sendo o correto: ESTOMIA, ESTOMA e ESTOMIZAR (vide fotos abaixo).

Simples: stóma vem do grego. Em português antes de /st/ se coloca /e/. Ao se acrescentar o sufixo /ia/ tem-se, então, a estomia: uma boca.

Então, definindo livremente, estomia é uma boca (abertura) feita em algum órgão (ou parte dele) oco de nosso corpo para o ambiente externo, geralmente para eliminação, mas também para alimentação (quando estômago e jejuno).

Uhumm! Agora fica simples o quebra-cabeça. Pegam-se os prefixos das áreas a serem abertas (traqueo, gastro, ileo, colón, pleura, vesico, uro…) e criam-se os termos.
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Traqueo+stom + ia = traqueostomia
Colo+stom + ia = colostomia
gastro +stom + ia = gastrostomia

E estomaterapeuta? estoma + terapeuta = terapeuta estomal. Essa é a origem. Hoje, uma ET atua além das estomias, pois foram acrescentadas outras áreas de atuação, a saber: feridas agudas e crônicas, incontinências, fístulas, tubos e drenos. Ahhh, não existe ostomatoterapeutas ou estomoterapeutas.

Nas fotos das figuras 1 a 3, estão documentos do e-mail original que encontrei de minha comunicação com um lexicógrafo-chefe da Academia Brasileira de Letras na época.
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Fazendo uma limpa nas minhas pastas, o achei, já amassado. Creio que amassei para descartar, me arrependi e devolvi para uma pasta. O que foi bom, pois não tenho mais esses E-mails em meu computador. E esta é uma prova viva das mudanças que foram necessárias fazer daí para frente, tais como: mudança de estatuto da SOBEST, logomarcas, conteúdos diversos.

As as associações das pessoas com estomias mativeram-se como eram, porque havia receio de perdas de direitos. Mas, nós profissionais procurarmos ser respeitosos com nossa própria língua, pois errávamos pela ignorância.

O que aprendi? Temos que ser mais curiosos e investigadores. E respeitar a nossa língua materna. Embora a língua seja dinâmica, existe sempre uma gênese.

Está errado escrever OSTOMIA porque não está em concordância com nossa querida língua portuguesa. Também não existe a palavra ostomizado, podendo ser criado o estomizado. Mas o melhor é pessoa com uma estomia.

Abaixo documentos originais

Figura 1. Esse foi o email que enviei à Academia via canal de perguntas.

Figura 2: resposta do Lexicógrafo-Chefe, Sergio Pachá
Figura 3: nova comunicação sobre estomizado.

Texto elaborado por:

Dra Beatriz Farias Alves Yamada
Enfa Estomaterapeuta
Presidente da SOBEST nas gestões de 2002 a 2008.

Exercícios para flexibilidade e saúde dos pés

Você tem joanete, dedos em martelo, dor plantar e câimbra nos dedos ou pés? Uma boa dica são esses exercícios para aumentar a flexibilidade dos pés.

Todos esses exercícios foram originalmente propostos pela American Orthopaedic Foot and Ankle Society1. Como alguns deles já não constam mais no site, usamos outra referência2.

Realizamos tradução de modo livre e adaptamos a redação para melhor compreensão das orientações em nosso contexto.

Nosso interesse é estritamente educacional, a fim de promover a saúde dos pés, especialmente das pessoas com diabetes pois, ‘a cada 20 segundos, uma pessoa com diabetes perde o pé em algum lugar do mundo”3, e tudo pode começar com um pequeno trauma. Por isso, não recomendamos que o último exercício proposto (andar na areia) seja realizado por pessoas com perda de sensibilidade dos pés.

É importante ser cuidadoso com os exercícios usando os elásticos. A sensação deve ser apenas de puxar e não deve causar nenhuma dor2.

Se encontrar alguma limitação para realizar os exercícios, não desista. Sugerimos persistir, indo devagar e sempre, pois temos certeza que fazer alguma coisa será melhor que não fazer nada.

Realizar cada exercício de três a quatro vezes ao dia, começando pela manhã, ao sair da cama2.

Aproveitamos para deixar nossas dicas de cuidados com pele e unhas:

  • Caprichar na higiene e na hidratação da pele, para evitar ressecamentos e lesões.
  • Para respeitar fisiologia da barreira da pele, usar sabonete líquido com pH levemente acidificado, por ser muito importante para proteção contra microrganismo.
  • Manter a pele entre os dedos sempre seca.
  • Cortar adequadamente a unhas. Se necessário, buscar um profissional capacitado, como os enfermeiros atuantes na área de podiatria.

Desejamos muita saúde e que seus pés lhes conduzam aos seus sonhos.

Dra Beatriz F Alves Yamada – PhD, MS, ET – COREn-SP 49.517


Exercícios com Instruções e Recomendações

A. Dedos elevados, na ponta e curvados

São três exercícios em posições diferentes, feitos sentado ou em pé.
No primeiro, deve posicionar o pé no chão e elevar o calcanhar para apoiar somente a ponta dos pés. No segundo, precisa erguer o pé e apoiar somente a ponta dos dedos. Para o terceiro, é necessário apoiar todos os dedos, pelo peito (dorso) do pé, e curvá-los, fazendo um arco.
Segurar cada posição por 5 segundos.
Repetir cada posição 10 vezes.

Recomendado

Para pessoas com dedos em martelo ou que sintam câimbras nos dedos.

B. Apertando os dedos

Colocar um material macio, em formato cilíndrico, entre os dedos dos pés (Ex. cortiça, esponja, algodão ou tecido). Apertar os dedos para tentar fechá-los.
Segurar por 5 segundos.
Repetir 10 vezes.

Recomendado

Para pessoas com dedos em martelo ou que sintam câimbras nos dedos

C. Puxando os dedões

Encaixar um elástico grosso no dedão (hálux) de cada pé. Puxar o elástico em direção ao dedinho (5ª dedo) de cada pé. Segurar essa posição com o elástico esticado por 5 segundos.
Repetir 10 vezes.

Recomendado

Especialmente para pessoas com joanetes ou que sintam câimbras nos dedos.

D. Puxando os dedos

Encaixar um elástico grosso em volta de todos os dedos de cada pé. Afastar os dedos e segurar essa posição esticando o elástico por 5 segundos.
Repetir 10 vezes.

Recomendado

Especialmente para pessoas com joanete, dedos em martelo ou que sintam câimbra nos dedos.

E. Rolando com a bola

Colocar uma bola de golfe ou tênis em baixo dos pés (poderá substituir por um rolo de massa de cozinha). Rolar a bola ou o rolo com o arco do pé para frente e para trás, por 2 minutos.
Esse exercício será uma ótima massagem para a sola dos pés.
Procurar fazê-lo sentado. Com a evolução, se sentir-se seguro, fazer em pé.

Recomendado

Especialmente para pessoas fascite plantar (dor no calcanhar), tensão no arco plantar e câimbra nos pés.

F. Enrolando a toalha

Sentar com os dois pés apoiados no chão. Colocar uma toalha pequena no chão, à sua frente. Pegar o centro da toalha com os dedos dos pés e enrolá-la em sua direção, fazendo um arco no pé.
Relaxar e repetir o exercício 5 vezes.
Fazer um pé por vez.
Poderá aumentar a resistência colocando um peso na ponta da toalha.

Recomendado

Especialmente para pessoas com dedo em martelo, câimbra nos dedos e dor na parte superior da da sola pé (o coxim abaixo dos dedos).

G. Pegando bolinha de gude

Sentar com os dois pés apoiados no chão. Colocar 20 bolinhas de gude no chão, à sua frente. Usando os dedos dos pés, pegar uma bolinha de cada vez e colocar numa vasilha.
Repetir o exercício até pegar todas as bolinhas.

Recomendado

Especialmente para pessoas com dedo em martelo, câimbra nos dedos e dor na parte superior da da sola pé (o coxim abaixo dos dedos).

H. Andando na areia

Sempre que tiver oportunidade, tirar os sapatos dos pés e andar na areia da praia. Ela irá massagear os pés e fortalecer os dedos.

Recomendado

Exercício bom para o condicionamento geral do pé. Cuidado com vidros ou objetos cortantes.

Adicionado

Não recomendamos pessoas com perda de sensibilidade andar de pés descalços em nenhum lugar.

Fontes:

  1. https://footcaremd.org/resources/how-to-help/how-to-keep-feet-flexible/ (acesso em 04/12/2020)
  2. https://www.passionpodiatry.com/single-post/Lower-Limb-Exercises (acesso em 04/12/2020)
  3. https://iwgdfguidelines.org/ (acesso em 04/12/2020)

Revisão da ortográfica: Débora Pacheco

PodiatriCare nas mãos – um caso de unhas verdes

Os cuidados podais, como próprio nome diz, têm seu foco nos pés. Contudo, as mãos demandam os mesmos cuidados pois têm pele e anexos. Contaminação por fungos, bactérias e vírus acometem as unhas das mãos, assim como lá no seu extremo, os pés.

Quero compartilhar essa situação porque é importante à saúde. As mãos vão à todos os lugares do corpo, incluindo à boca para se alimentar. Precisa estar limpa e saudável.

Esse relato não se trata de uma apresentação científica, mas um registro do que foi visto e feito em uma pessoa num atendimento social durante o treinamento de enfermeiros no curso de aperfeiçoamento em podiatria.

A senhora idosa nos permitiu fazer a fotografia. A chamaremos de T.

Ela não sabia sua idade, pediu que tentasse adivinhar, dizia ter uns 70, ela havia perdido seus documentos. Isso não importa aqui a idade em si, era já um tanto idosa. Eu aposto mais que 70 anos.

Dona T. tem uma doença de pele (pênfigo bolhoso – sic) que judia seu corpo, as bolhas crescem e rompem, ela se coça e se fere, as moscas ficam cercando.

Veio para atendimento podiátrico de andador, com passos muito lentos trazida por seu responsável. Ela estava com muita vontade de fazer a “manicure”. Tudo bem, explica-se que se trata de enfermeiros fazendo podiatria clínica. Um aprendizado para ela.

Na avaliação (26.11.19)

Quando meus olhos viram suas unhas das mãos e algumas dos pés com essa coloração, me lembrei de outros casos de unha de cor verde que tratei. Não temos como diagnosticar, e nem nos cabe isso como enfermeiros, contudo o odor que exalava na manipulação é inconfundível. Ofendeu o nariz a ponto de passar pela luva às mãos da enfermeira Fernanda Lopes, a colega que estava colaborando comigo no treinamento e realizou o procedimento de uma das mãos no primeiro dia. Foi preciso dar um jeito nas mãos Fernanda depois (nada que melaleuca não resolva).

Esse caso foi o primeiro da enfermeira Izabel Kariny, que foi designada, pelo além, para atender (eles escolhem onde sentar). Foi muito trabalhoso, levou mais de duas horas para conseguir realizar todo procedimento, porque eram as mãos e os pés. Valeu a primeira experiência da Izabel em podiatricare já com caso mais raro. Depois desse, ela nunca mais “fará vistas grossas” às unhas de nenhum paciente. Seu trabalho ficou muito bom, tudo cortado e higienizado para fazer a terapia fotodinâmica (TFDa). TFDa é uma terapia antimicrobiana fundamental na prática da podiatria clínica.

Aspecto da unha da mão esquerda

Mão esquerda depois do desbridamento

Enfa Izabel atendendo seu primeiro caso, dona T.

Intervenção da PodiatriCare

Na hora de atuar com esses casos, saber que “bicho” tem nas unhas é o de menos, porque o cuidado é o mesmo e fazemos o que sabemos.

  1. Higiene com sabonete acidificado
  2. Emoliente
  3. Remoção da onicólise
  4. Desbridamento com brocas
  5. Mais limpeza – aqui vinagre vai bem (se tivesse).
  6. Terapia fotodinâmica antimicrobiana (TFDa) com laser.

O ambiente ficou com muito odor, mas logo se dissipou com spray de melaleuca.

Serviço feito! Sorriso nos lábios de quem recebeu esse cuidado.

28.11.19

Fui em busca dela em sua habitação, e eu mesma realizei o procedimento. Ela esperava com ansiedade.

Surpresa! Não havia mais nenhum odor. Fizemos uma nova TDFa.

Aspecto das unhas 48 horas depois – azul é do corante

Procedimentos dessa vez:

  1. Vinagre para retirar o excesso do azul prévio – eu já tinha ido comprar
  2. Limpeza novamente
  3. TFDa com laser
  4. Óleo essencial de meleuca 10%.
  5. Orientação para manter higiene com vinagre.

Quis remover o azul aplicado para a TFDa. Ela me pede para deixar assim. Entendi, faz de conta que é um esmalte. Dignidade é tudo.

Voltei para meu estado depois de uma semana de intenso trabalho treinando enfermeiros em PodiatriCare, mas dona T. ficou em minha cabeça. Fiz minha colega Fernanda. me fazer uma promessa que iria atender dona T semana vem.

Quero muito ver dona T 100% curada.

Em resumo

Higiene e TFDa fizeram uma gigante diferença na saúde das unhas das mãos de dona T. Ainda precisa de tratamento.

Nós nos alegramos em poder ajudar a ela e tantas dezenas de pessoas que foram voluntários para o curso em Fortaleza.

O que eles nos perguntam? Quando vocês irão voltar.

Quem sabe logo.

Tem sempre gente com vontade de ajudar. Promoveremos ação social contando com colegas do local. E assim, poderemos ajudar idosos a ter pés e mãos saudáveis.

Se suas unhas têm cor diferente, procure tratamento.

Procure um Enfermeiro com formação em PodiatriCare (Podiatria Clínica)

Dra Beatriz Yamada – Estomaterapeuta

Instituto Beatriz Yamada

Contato: WhatsAap: 11 99609 4381

Eureka!! Como retirar azul de metileno da unha

O azul de metileno ou de tuluidina são fotosensibilzadores que usamos para realizar a terapia fodinâmica para tratamento da onicomicose.

A combinação dessa substância com a luz do laser ou led produz a reação necessária para matar pouco a pouco os fungos das unhas e pele.

O inconveniente, até então, é que as unhas ficam manchadas com azul e esteticamente ruim para algumas pessoas, sejam jovens ou idosas.

Semana passada, atendi uma cliente nova que já tinha usado a terapia anteriormente em outro local. E ela me deu uma notícia que foi a novidade para mim: conseguia tirar tudo com limão. E isso já foi informação passada para ela. Veja o poder da história oral.

Me disse que usava o limão a noite para evitar queimar a pele com exposição solar, devido ao sumo que poderia tocar a pele. Achei MARAVIGOLD!!

Pensando no assunto, sabendo que limão é ácido, resolvi experimentar o que eu tinha no consultório: ácido acético branco de maçã. Eurekaaaa! A coisa funcinou!! Contei a novidade para algumas colegas e deu certo mesmo. Eba, reunindo evidências. Testei o limão depois, e não vi nenhuma diferença entre ambos na remoção do azul. Entre um e outro, optarei pelo o velho e bom ácido acético pois ficará mais prático para uso tanto no consultório quanto em domicílio.

O que aprendemos, devemos compartilhar. Assim, lá vai minha técnica.

Ao concluir a TFD:

  • pegar algodão ou gaze e embeber com ácido acético puro, o branco de maçã;
  • deixar essa gaze um pouquinho de tempo sobre unha, e depois esfregar até remover o máximo possível;
  • Colocar nos sulcos da unha algodão úmido com a substância e usar o bustiri nuclear para ajudar a esfregar (cuidado se estiver cortante, os meus os deixo cegos) ou um palito de dentes (com cuidado para não ferir)
  • repitir quantas vezes precisar (geralmente duas ou três);
  • aplicar água para remover o vinagre da pele;
  • secar tudo;
  • orientar para aplicar um fitoterápico na unha para potencializar o tratamento em casa.

Sobre os fitoterápicos: as opções vão da solução de vinagre, vinagre com alho à óleos essenciais, entre outras alternativas. Depende também das circunstâncias. Eu faço um mix de cuidados domésticos, que são parte de nosso protocolo institucional.

A respeito do óleo, atualmente, retornei ao óleo essencial de melaleuca porque encontrei um que de fato é essencial, com selo de garantia de pureza. A melaleuca é antifúngica, e tem mais um tanto de outros efeitos terapêuticos. Mas, é preciso ser de fato pura. Em nosso meio há muita mistura. Um dica é ver o preço do produto. Mais do que isso é ver o selo de autenticidade, ex. o CPTG (Certificado de Pureza Testada e Garantida) ou outro que comprove pureza (solicite onde irá comprar).

E para terminar o cuidado, deixar o pé hidratado no capricho. Um carinho em dose dupla. E nessa caso, um ótimo creme hidratante. Eu uso da minha própria marca, a by Corpus.

Essa limpeza com ácido acético fica muito boa, sai basicamente tudo. Em alguns é possível sair tudo. Mas se a unha estiver muito porosa o azul penetra mais e fica lá uma macha azuladinha. Aos que se importam com isso, orientar que repita em casa novamente que vai saindo.

Gostou da dica? Eu amei. Que tal compartilhar com os profissionais que realizam TFD?

Eu testei desse modo, faça novas descobertas e nos conte.

Vamos matar esse funguetes!

abs,

Dra Beatriz F Alves Yamada – PhD, ET
Proprietária do IBYamada

 

Obs. A fotos estão publicadas com autorização dos clientes para divulgação pelo IBYamada, Não deverão ser utilizadas sem prévio consentimento.

Experiências de viver com o “intestino do avesso”

O dia 16 de novembro é uma data nacional de comemoração da pessoa com estomia.

As estomias são aberturas de algum órgão do corpo realizadas cirurgicamente, sempre com a finalidade de preservar a função. Muda-se a anatomia, mas o funcionamento daquele órgão é preservado. Logo, salva-se a vida.

As estomias mais comuns são aquelas realizadas nos intestinos. Através de uma abertura na parede abdominal o intestino é exteriorizado, evertido e suturado (costurado) na parede, expondo, assim, a mucosa intestinal. Isso tudo é cicatrizado com alguns dias, protegendo-se a parte interna do corpo. As fezes passam diretamente por esse orifício para o meio externo e são coletadas num equipamento acoplado a pele, chamado popularmente de ‘bolsa’ de estomia.
Para essa eversão intestinal, estou aqui dando o significado de ‘intestino do avesso’, pois me lembrei da campanha da epidermólise bolhosa que faz a provocação com o ‘virar do avesso’.
Em português o termo correto é “estomia”. Contudo é comum o uso de ‘ostomia’, especialmente entre as próprias pessoas com a derivação.

Uma estomia trás sem dúvidas mudanças de todas as ordens na vida de uma pessoa. Cada tipo com suas peculiaridades, mas as intestinais podem trazer mais aversão em função do conteúdo fecal exalar odor. Lidar com fezes é sempre algo cheio de ecas desde as primeiras experiências de um ser humano. A mãe limpa o bebê, mas geralmente as reações não são de que delícia, que cheiro bom, que maravilha…
Não preciso explorar isso, certo? Todos bem sabemos das reações que temos dentro de um sanitário.

Nessa matéria eu não quero falar de coisas negativas. Porque todas as coisas na vida tem duas faces. Posso diante de um fenômeno explorar mais aspectos negativos que positivos. Contudo, uma visão mais negativas dos fatos causam mais efeitos emocionais deletérios.

Para celebrar esse dia, quero deixar as falas de pessoas que são estomizadas. E desde que já as agradeço por terem se interessado pelo meu pedido e enviarem seus textos e fotos.

Desejo vida longa e bem-estar a todas as pessoas com estomia no Brasil e ao redor do mundo. Decido também ao meu amigo Rufo ( in memoriam) e a minha querida Ana Cris (in vida).

Meu apreço.

Dra Beatriz Farias Alves Yamada
Estomaterapeuta – COREN 49515
Psicóloga Clínica – CRP 06/127735

Selma Torquete – Ileostomia definitiva desde 2005.

Aos 23 anos de idade, fui diagnosticada com Retocolite Ulcerativa. A partir daí comecei o tratamento com o Proctologista, devido as cólicas abdominais e sangramento nas fezes. O tratamento foi intenso, por 20 anos, porém, não escapei da cirurgia.

Foi desesperador quando me vi com uma bolsa de Ileostomia acoplada no meu abdômen. Tinha certeza que aquilo era o fim da linha para mim, minha vida virou dos avessos, já não existia alegria e nem razão para viver.

Aos 44 anos de idade, sem esperança de sobreviver por conta das ocorrências após 4 cirurgias, com perda de peso e muitas dores, entreguei minha vida nas mãos de Deus.

Foi a melhor coisa que fiz na minha vida, pois estava cercada de muito carinho dos familiares e amigos, conheci pessoas que foram e ainda são o meu apoio e meu chão.

Aos poucos fui aprendendo a lidar com a situação, graças às dicas e o apoio das voluntárias da AOMSP – Associação dos Ostomizados do Município de São Paulo, onde mais tarde me tornei uma voluntária por três anos e meio, foi de grande importância esse convívio com a Associação, pois foi com eles que aprendi dar a volta por cima e consegui encarar os obstáculos e recomeçar e principalmente aceitar.

Hoje, aceitando a situação e superando os obstáculos, posso me considerar uma vencedora, trabalho ainda aos 57 anos, uso condução ônibus, metrô, tento ser o mais alegre e companheira possível, gosto muito de curtir a família e os amigos, de viajar e principalmente de agradecer a Deus, que nunca me abandonou, por todo momento vivido e por aqueles que ainda hão de viver.

Moral da minha história: “ Viver um dia de cada vez e ser feliz sempre.”

Acredite sempre, mesmo que o sol não esteja brilhando, porque ‘a força de acreditar é capaz de destruir a escuridão’.


Maria Rita Silva – 48 anos nutricionista/SP, Ileostomia desde 2013

Hoje, eu sempre comemoro a vida pois, graças à ileostomia definitiva, que ganhei desde 2013, por conta de complicações da Doença Inflamatória Intestinal e, carinhosamente chamada de Mel, minha companheira do dia a dia, consegui melhorar minha qualidade de vida e viver melhor.

Hoje, eu comemoro, sim, a pessoa ostomizada que luta pela vida e não desiste de ser feliz em meio a tantas dificuldades, que qualquer um de nós pode passar independente de ser ou não ostomizado. Eu comemoro cada dia vencido com muito orgulho.

Comemoro muito a oportunidade em conhecer pessoas tão especiais que me mostraram que ser ostomizado não é o fim da vida e sim que podemos muito e que, apesar de qualquer dificuldade, vale a pena viver e lutar pelos nossos sonhos.

Após a cirurgia eu consegui terminar o curso universitário concluindo a graduação em Nutrição. Atualmente, sempre que tenho oportunidade, eu auxilio pacientes em sua nova vida como ostomizado. Fazer o bem ao próximo nos faz bem, e procuro fazer tudo que eu gosto: sair com amigas, dançar, ir à praia e, lógico, namorar!

Afinal, a vida, meu bem é para ser vivida pois pode, num sopro se acabar, então “Viva la Vida”.


Edna Pereira (Eda)

Me chamo Edna e tenho 49 anos. Há quase 28 anos, fui diagnosticada com Doença de Crohn e durante todo este período, passei por muitos altos e baixos, como a maioria dos colegas que também convivem com esta doença.

Passei por muitas internações e cirurgias, e entre elas, uma ileostomia e uma colostomia.

Talvez, eu pudesse ter considerado estes detalhes como uma desgraça, mas ao invés disso, resolvi dar GRAÇAS por tudo de bom que Deus permitiu acontecer na minha vida, apesar de tudo que passei.

A ostomia me permitiu mais qualidade de vida, principalmente, depois que conheci outros ostomizados que passaram pela mesma situação e me ajudaram à aceitar a nova condição. Depois da aceitação, me permiti aprender à viver o que for possível, da melhor maneira possível.

Obviamente, a ostomia não foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, mas sem dúvidas, muitas coisas maravilhosas me aconteceram, depois que me tornei uma mulher ostomizada.

Empreendendo com treinamento de Enfermeiros em PodiatriCare – relato de experiência

Introdução

Quanta coisa acontece em um dia? Ou em uma semana? Um ano? Uma, duas décadas? Muitos dos acontecimentos vividos vão ficando para trás e sem os devidos registros os fatos são deixadas no ‘vazio’. Quanta falta me faz um diário, e esse blog tem também essa finalidade: guardar histórias. Assim sendo, vou registrar aqui um pouco da minha trajetória com treinamento de enfermeiros ao longo desses 13 anos. Uma razão é porque no dia 31 de agosto teremos o PodiatriCare – II Simpósio de Podiatria Clínica, e como estou preparando minha palestra de empreendedorismo em ensino extracurricular, resolvi deixar algum registro aqui em meu blog profissional.

Contextualizando a minha formação como especialista e empresa

Como tudo tem um começo, preciso contextualizar alguns dados de minha formação e da empresa. Então, vamos lá ativar uns engramas cerebrais.

Fiz especialização em estomaterapia num curso intensivo de menos de três meses, na Escola de Enfermagem da USP, na XIX turma, iniciada em fevereiro de 1998. Ao concluir, já em maio, iniciei minhas atividades como estomaterapeuta (ET) em assistência domiciliária. E assim fiquei até julho de 2000, quando minha clínica (Enfmedic) foi inaugurada na Capote Valente, 432 cj 75, local que permaneci até 30/06/18 (guardando memórias). São duas décadas de formação especializada em estomaterapia e de empreendedorismo na área.

A Enfmedic guarda em sua história muito pioneirismo em inúmeros de seus empreendimentos, sendo esta a primeira clínica do país em estomaterapia. Isso é um dos pioneirismos: nascer num contexto onde a estomaterapia era extremamente desconhecida e mais raro ainda enfermeiros terem clínicas. Essa realidade é bem diferente na atualidade, pois já há vários enfermeiros empreendendo. Tenho consciência que servi de espelho para muitos de meus pares. E com esses 20 anos de experiência, hoje me é fácil falar sobre nos cursos que ofereço e mostrar ao enfermeiro que podemos voar e ter uma vida 100% autônoma e ser profissional liberal, empresário etc, sendo bem sucedido na carreira. Desde que tenha muito empenho. Gosto de uma frase, no que no site pensador refere ser de autor desconhecido. Ela faz todo sentido para minha vida.

“O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”.

Voltando aos pés. Lidando com pessoas com úlceras por diabetes mellitus, via a situação das unhas e pés e não tinha preparo para esses cuidados, mas era preciso cuidar deles. Desse modo, inclui no escopo das atividades multidisciplinar da clínica a podologia, mas realizada por podólogos. Relembro que nessa época já havia enfermeiras com curso técnico em podologia atuando com pacientes diabéticos. Mas ainda nenhum curso para capacitar enfermeiros para esse exercício de cuidados podais. O inverso era real, preparação de podólogos para cuidar de diabéticos. De verdade isso me era um incômodo. O enfermeiro já tinha histórico longínquo de atuação na área e foi perdido por alguma circunstância do mercado.

Os primórdios dos cursos de podiatria

A colega Suely Thuler, residente em Americana (SP), ao realizar sua pós-graduação em Estomaterapia, em 2000, foi se engajando nessa área, buscando beber em outras fontes para ir adquirindo esse conhecimento. Suely, em 2001, começou a dar aula no curso de estomaterapia da Unitau, de onde foi egressa, sobre prevenção de lesões nos pés de pessoas diabéticas, o que se estendeu na EEUSP depois.

Como minha empresa já tinha Centro de Estudos e realizava vários cursos de atualização em estomaterapia, em 2005, nos unimos para empreender nesse segmento, realizando cursos específicos para enfermeiros e até para podólogos. Mas, depois decidi atuar apenas com enfermeiros, pois acredita que o caminho tinha que ser o inverso. Ensinar enfermeiros a fazer cuidados podais e esses assumirem o cuidado do paciente diabético, e não o contrário. Algo hoje que ainda me mantenho fiel a essa missão: trazer o enfermeiro para atuar em Podiatria Clínica especialmente com diabéticos, e ajudar a mudar a realidade que se tornou saúde publica, pessoas diabéticas perdendo os pés em alguma parte do mundo a cada 20 segundos.

Na primeira proposta, fizemos um curso de 96h/aula, com muita teoria, e demos o nome de: “Curso de Capacitação para enfermeiros – Prevenção de complicações nos pés de diabéticos“. Não chamamos de podologia e nem tão pouco podiatria. Nossa ênfase era ensinar de modo mais abrangente o cuidado ao paciente diabético, numa perspectiva de cuidados de enfermagem, mas inserido os cuidados podais. Abaixo um recorte do folder usado.

Isso foi algo inédito no país: ensinar enfermeiros a realizar tratamento/cuidados podais. Essa curso foi muito prazeroso, e entre as atividades realizadas construimos junto com os alunos um instrumento de avaliação dos pés de pessoas com diabetes. Desse curso, frutos renderam e algumas enfermeiras foram atuar na área diretamente.

Numa versão seguinte, diminuímos a carga horária pois verificamos que muitos dos conteúdos dados já eram conhecidos pelos enfermeiros. Assim sendo, passamos dar mais ênfase em aspectos práticos.

Nessa fase, dispensei o serviço realizando por podólogos, e Suely passou a atender alguns casos na Enfmedic por um curto período de tempo. Merian, uma das enfermeiras que atuava comigo foi capacitada no curso e passou a realizar esse trabalhado também.

No seguir da carruagem, Suely e eu fomos atuando de modo independente no treinamentos de enfermeiros, cada uma em sua própria sede. E em meu curso passei a focar inteiramente em prática clínica de 3 dias por um certo tempo.

Embora meu enfoque nesse texto seja sobre educação, não posso deixar de escrever que na área assistencial a podiatria passou a ser um serviço bem relevante na empresa, e hoje é o carro chefe.

Um enxerto na história – assegurando a área na estomaterapia

Ao vermos ser esse um caminho presente e futuro de grande importância para o Estomaterapeuta, em minha gestão como presidente da SOBEST realizamos as competências do ET, e, aproveitou-se para já inserir essa atividade como parte integrante da especialidade, em documento publicado na Revista Estima e no site da SOBEST. Nesse documento ficou definido que algumas dessas atividades devem ser realizadas mediante curso complementar de capacitação em podiatria.

Realizar cuidados podiátricos – cuidados com as unhas: limpeza de micose, corte adequado, correção de deformidades e remoção de espículas ; cuidados com os pés: remoção de calos e calosidades (SOBEST, 2008).

Pouco a pouco os coordenadores dos cursos de estomaterapia foram introduzindo algum conteúdo no assunto para despertar os alunos para essa área também. E fomos vendo cada vez mais enfermeiros se interessando e se capacitando para tal exercício com cursos de extensão. Nossa empresa serviu de campo de estágio na área para os alunos de estomaterapia da EEUSP.

A especialidade na UNIFESP

Em 2007 nasceu a especialização em Podiatria na UNIFESP e três cursos foram realizados. Foi sonhado pela profa Mônica Gamba, a real precursora da Podiatria, mas coordenado pela Profa Odete, com auxílio da enfa Vera Lígia. Nesses cursos várias ET se especializaram, sem contudo atuar plenamente na área. Com a especialização a Podiatria entrou no rol das especialidades da enfermagem, mas foi retirada por algum desconhecimento de causa, ficando somente nas competências do ET. O curso foi interrompido depois da 3a edição, mas há intenção de retornar.

Outros cursos de especialização foram realizados por iniciativa privada.

A Podiatria na SOBENDE

Em 2015 foi incluída como uma parte no departamento das sub áreas da SOBENDE. E nessa entidade participei, com outras colegas, de uma força tarefa para organizar os cursos de extensão quanto a carga horária e conteúdo. O material foi enviado ao COFEN, pois se pretendia requerer o retorno da especialidade, o que não aconteceu.

Recentemente, o COFEn realizou uma nova resolução 570/18 incluindo a podiatria na Enfermagem em Dermatologia. Essa área têm sido atualmente coordenada por mim dentro da SOBENDE.

Nossos Simpósios – realizando cultura

Em abril 2016, realizamos, juntamente com o SIMPELE (Simpósio de Pele), o I Simpósio de Podiatria Clínica, no teatro Gamaro, em parceria com a Expansão Eventos, com participação de enfermeiras atuantes na área (Maria Lucoveis, Merian Santos, Rosangela Oliveira, Vera Lígia). Esse ano acontecerá a segunda edição, com exclusividade em Podiatria, ganhando essa identidade visual abaixo, também de autoria de Rachem Yamada.

Em maio de 2017, cunhamos em nossa empresa o termo PodiatriCare, para denominar nosso serviço dentro do IBYamada (nome fantasia adotado a partir de 2016). Depois, com a ideia de franquia, adotamos esse nome para o projeto PodiatriCare – uma missão de cuidado, que está sendo estruturado para uso de licença de marca. A logomarca (nov 17) foi criada pela minha filha, uma artista inata. E um site exclusivo foi desenvolvido pelo Maurício, cujo lançamento foi feito em dezembro de 2017.

Nesse momento, a PodiatriCare é uma rede de afiliados que se interessaram em promover o nome podiatria clínica, juntamente com o IBYamada. Todos os participantes são egressos de nossos cursos de podiatria clínica.

Logarmaca criada por Rachel Yamada

Ressalto que devido ao interesse na podiatria e sua inserção oficial dentro da Enfermagem em Dermatologia, coordeno uma pós-graduação no Centro Universitário Adventista nesse área, onde a Podiatria foi inserida como parte das disciplinas. O curso está em fase de inscrição.

Os nossos treinamentos no presente momento

A contar de 2005 até agosto de 2018, 37 turmas foram realizadas e inúmeros enfermeiros treinados. Vários desses realmente atuando, precisaria fazer uma pesquisa com os egressos.
Tenho como premissa a realização de turmas pequenas, com no máximo sete pessoas, devido a prática clínica que quero acompanhar com toda atenção.

O curso foi passando mudanças gradual ao longo do tempo, pois era focado na prática. Foram sendo incluídas novas temáticas como laser e empreendedorismo, sendo necessária a ampliação da carga horária. E sei que sofrerá sempre mudanças, pois é um aprendizado contínuo.

A partir de janeiro de 2018 passou a ser de Aperfeiçoamento, com uma parte teórica realizada em EAD. Na parte presencial, realizo dinâmicas de autoconhecimento (juntando meus conhecimentos de psicologia), além de mentoria em empreendedorismos e o treinamento em voluntários generosos. Tudo isso, em curto tempo, possibilita ao enfermeiro ampliar suas competências e atividades que já realiza, mas também iniciar um trabalho exclusivo. A grande maioria dos treinados é ET ou Enfermeiro em Dermatologia.

Considerando os treinados nos primórdios, já são 150 enfermeiros. De janeiro de 2015 até agosto de 2018, 102 enfermeiros foram treinados. E a partir de maio de 2016 (n=76), exclusivamente por mim.

Dado ao interesse, em parceria com colegas, realizamos uma nova base de treinamento no nordeste, na cidade de Fortaleza (CE), e já treinamos 14 enfermeiros em maio e julho, e com uma nova turma aberta para novembro. O Ceará já possui 15 enfermeiros treinados no nosso programa, todas elas especialistas em estomaterapia ou dermatologia. Na figura abaixo pode ser visualizada a distribuição por estado, no período de janeiro de 2015 a agosto de 2018.

Embora tenham sido treinados todos esses, nem todos conseguiram atuar em Podiatria de modo exclusivo ou complementar. Seja porque não possuem muito perfil para o empreendedorismo, seja porque não se encontram nessa atividade. Alguns se sentem “diminuídos” realizando cuidados podais. Talvez não tenham entendido o valor da missão de PodiatriCare: ajudar pacientes diabéticos a preservarem seus pés do risco da amputação, pois as estatísticas mostram que a “a cada 20 segundos um diabético perde o pé”. Atrelado a isso, PodiatriCare é uma das grandes possibilidades para o enfermeiro empreender com muito sucesso.

Graças a podiatria meu consultório se mantém com atividade 100% privada, não somente para atendimento clínico mas em educação continuada.

Incentivo fortemente enfermeiros a atuarem nessa área.

Dra Beatriz Yamada – ET

Aniversário de Norma T Gill – Primeira ET Mundial

Fonte Fote: da SOBEST

Quem foi Norma T Gill

Norma T Gill nasceu dia 26 de junho de 1920, nos Estados Unidos da América, sendo quase impossível esquecer a data do nascimento dela, pois coincide com uma data especial para mim, meu casamento. Assim, sem qualquer planejamento, nossas vidas se cruzaram e eu me identifiquei profundamente com a causa que ela militava e, por isso, me elegi sua discípula. Mas, para que ela fosse lembrada sempre, em minha gestão como presidente da SOBEST, criamos a Semana Nacional de Estomaterapia nos dias 25 a 31 de outubro. Pela impossibilidade de ajustar pelo nascimento, a semana inicia pela data do falecimento, 31 aniversário da ET brasileira fundadora da especilização, Profa Vera Gouveia.

Norma Gill foi a precursora da estomaterapia mundial. Uma vibrante mulher, com capacidade ímpar de impressionar, criar e dividir. Sua visão, muito além do seu tempo, possibilitou a criação da estomaterapia, uma especialidade fenomenal e encantadora, assim vista por aqueles que fazem parte dela, presente em todos os continentes, muito embora não esteja em todos os países.

Um pouco sobre a estomaterapia

O surgimento da especialidade naturalmente exigiu a criação de entidades que a representasse. Internacionalmente, há o World Council of Enterostomal Therapist – WCET, fundado em 1978, e, nacionalmente, a Associação Brasileira de Estomaterapia – SOBEST, fundada em 1992. Ambas militam com muito ardor e amor, vislumbrando o crescimento da especialidade de maneira sólida e ética.

No Brasil, a educação em estomaterapia tem crescido gradualmente desde sua implantação formal, em 1990, na Escola de Enfermagem da USP, envolvendo desde sua fundação as áreas de estomias, feridas, incontinências e outros temas. Nos dias atuais, existem vários cursos de especializações, localizados em estados das regiões sudeste, sul, nordeste e norte (vide escolas no site), e que, certamente, ainda são insuficientes para atender a demanda que o país possui. Contudo, similarmente a reparação tecidual, cuja proliferação celular é feita de forma temporal e organizada, a construção da especialidade deve ser pautada nos mesmos critérios. Devagar que tenho pressa.

Um pouca da minha contribuição na especialização em estomaterapia

Ao longo de minha vida profissional em estomaterapia (desde 1998), segui nos passos de Norma Gill, que almejava que todas as pessoas com estomias, feridas e incontinências pudessem ser assistidas por um profissional estomaterapeuta. Mas, para que isso seja alcançado precisaria investimento em educação lato senso. Assim, não medi esforço para fazer disso um ideal a ser vivido e espalhado pelo país. Esse dever me impulsionou a ir ao amazonas fundar, juntamente com a colega Selma Perdomo, o I curso de especalização em estomaterapia (2008) no norte do Brasil, no qual dezessete alunos foram formados.

Atualmente o curso é coordenado por um ex aluno (Nilson Bezerra), que agora é professor na mesma universidade (Universidade do Estado do Amazonas). Sementes plantadas, frutos colhidos.

Meu tributo final

Assim, depois desse reviver histórico, é com muita gratidão que deixo meu tributo, outra vez, a esse ser especial – que nunca tive o privilégio de conhecer pessoalmente – que por identificação pude incorporar seus sonhos como meus sonhos.

Mais uma vez deixo escrito: Rest in Peace, Norma. Seus discípulos estão semeando e colhendo muitos frutos. Cada vez mais há pessoas envolvidas com essa área, que podemos muito bem chamar de: um caso pessoal de paixão.

Se você gostou dessa história, não deixe de compartilhar. Ainda é uma área que precisa ser promovida pelo bem daqueles que necessitam de cuidados devido a estomias, feridas ou incontinências.

 

Dra Bratriz F Alves Yamada -PhD, MSN
Estomaterapeuta, Psicoterapeuta

 

obs. Essa é Reedição subtraida do ano passado.

A Revista Estima e Eu – Memórias


“Um parabéns atrasado”…

Essa foi uma mensagem que deixei dia 16/06/18, um dia depois de um aniversário, na minha página do facebook.
O atraso também se deu pela confusão de datas, um certo esquecimento. Justificamos com as tantas ocupações e informações que nos cercam, que muita coisa nos foge das mãos, especialmente quando aquilo está fora de nosso foco.

Estava envolvida com a celebração da Semana de Pelle Sana (10 a 16 de junho), e dia 16 lembrei-me, de súbito, do aniversário da Revista Estima. Por um momento achava que era dia 16. Mas já estava atrasada. Antes tarde que mais tarde, e não fui a única.

Embora essa mensagem esteja na minha fan page do Facebook, quero deixar a mesma aqui, para ficar nas memórias de meu próprio blog, porque essa é uma parte da história da minha vida como estomaterapeuta. Tenho uma tendência a esquecer os fatos. Esse blog foi minha estratégia para registro de minha história profissional, escrita por mim mesma. Quanto a estima, já meio atrasada. Mas, vamos lá. Isso me servirá de fotografia.

Com relação a SOBEST, me dediquei a essa associação de modo muito intenso por cerca de 11 anos. Desses, sete como presidente. Minhas duas gestões foram repletas de muitas conquistas para essa entidade, não apenas pelo meu empenho “quase obstinado”, mas porque foi uma fase onde pude encontrar muitos eus, ou seja, pessoas como eu, que tinham desejo e paixão em cooperar com o desenvolvimento da especialidade.

Ontem, fui dar uma entrevista para a jornalista da SOBEST, Fernanda, para falar sobre a Revista Estima. Fui me lembrando de muitas coisas que já estavam em uma memória do passado. Mas, memória é feita de engramas, basta um fio para ir retornando. Vamos esperar por Fernanda, pois não quero estragar a matéria dela. Deixa eu apenas repetir o que estava no facebook com mais alguns enfeites. E acrescentar essas duas fotos históricas que faziam parte de um painel em meu consultório.

Festa de Lançamento da Revista Estima da SOBEST, durante o I Simpósio Brasileiro de Estomaterapia
15/06/2003. Decoração de Luciene Marinho.

 

Mesa de abertura do Simpósio de Lançamento da Revista, quando também ocorreu a primeira certificação TiSOBEST. Da esquerda para a direita: Vera Gouveia, Euridea Castro, Angela Bocara, Beatriz Yamada, Isabel Umbelina e Noemi Rogenski. A mesa foi compostas pelas presidentes da SOBEST (Beatriz e Noemi) e as coordenadoras dos três únicos cursos de especialização da época, que tiveram principal incumbência entregar os certificados aos titulados.

Isso foi tudo realmente lindo!

Vamos aos finalmente.

 

Parabéns para você, nesta data querida….

 

Quero deixar parabéns para minha segunda filha legítima. Pensada e gestada em 2002, preparada para nascer com muita festa, num grande evento para recebe-la, no dia 15 de junho de 2003. Essa é uma filha que teve mais duas mães legítimas: Leila Blanes e Noemi Rogenski.

Seu nome e todas suas roupas foram dadas pelo Pai: Luiz Carlos Rufo (falecido em 23.03.2010), um artista plástico fenomenal. Que saudade de você. Não tinha o direito de morrer. Você foi meu forte braço direito no projeto de comunicação que encomendamos de suas mãos. Nos deu tudo: nova logomarca, site, novas cores, logomarcas para tantas outras coisas e um boneco da Estima.
A vida é cheia de encontros e surpresas. Quem diria que em seu leito de dor, eu seria a sua estomaterapeuta. Que honra foi a minha, poder usar meu saber aliviar com os cuidados o seu intenso sofrimento e agonia, mas sem perder a serenidade e o sorriso. Por sua causa causa até criamos as mosqueteiras, que depois viraram as mirras.

Estima, você também teve uma fada madrinha, meu braço esquerdo: Luciene Marinho – Lu, seu sorriso de alegria com essa sobrinha era contagiante. Sem você e sua parceria a minha vida como presidente teria sido muito mais complexa.

Não posso esquecer de suas jornalistas: Keila e Viviane, responsáveis pela primeira e e algumas outras edições.
Você também teve muitas tias e padrinhos. Muitos auxiliadores e apoiadores.

Deu muito trabalho, mas o amor por você era tão grande e o desejo de a ver crescer era maior ainda, que tudo bem gastar muitas pestanas para lhe criar.

Foram muitas horas de dedicação de suas mães. Valeu a pena. Você cresceu menina.

Passada a primeira infância, depois de um período de treinamento, a deixamos nas mãos de uma mãe substituta: Vera Gouveia. A partir daí, outras mães dedicadas criaram a menina: Angela Bocara, Gisele Azevedo, Ciliana Antero.

E agora, aos 15 anos de idade, encontrou um pai muito afetivo: Juliano Teixeira. Que bênção foi essa, bem na sua adolescência ter encontrado um pai adotivo que é legítimo. Eu lhe ofereço esse pai porque ele lhe viu nascer e foi contagiado por sua existência. Quem diria que um dia receberia esse título. Coisas de destino? Nem creio em destino, mas alguma costura da vida feita pelo Divino.

Parabéns ESTIMA.
Você cresceu, e está agora uma linda adolescente, com grande personalidade e um exemplo de caráter aos 15 anos de idade.
Espero ver sua maior idade, sem jamais esquecer seus primeiros passos. Sempre desejando que você voe cada vez mais alto.

Acordando da digressão, quero dar parabéns a toda família Sobestiana por esse patrimônio cultural de muito valor.

Minha estima e afeição. E agradecida por ter acreditado que um sonho é possível de se tornar realidade se houver empenho dos sonhadores.

Beatriz F Alves Yamada
Editora Fundadora da Revista Estima. Com: Leila Blanes e Noemi Rogenski.

Por que Podiatria Clínica?

Desde 2005, tenho me dedicado a treinar enfermeiros em Podiatria Clínica. Esse trabalho tornou-se mais que trabalho, é uma dupla missão pessoal e profissional:

  • promover a prevenção de lesões de pele, porque acredito que é totalmente possível e
  • ampliar os horizontes dos enfermeiros para o empreendedorismo nessa área.

Publicação internacional mostra a terrível estatística com relação aos diabéticos: a cada vinte segundos uma pessoa sofre amputação em algum lugar do mundo. Veja original: 👇

“Every 20 seconds a lower limb is lost to diabetes somewhere in the world”

Chega a ser quase inacreditável alguém perder seu pé porque a prevenção falhou! Claro que prevenção passa pela responsabilidade pessoal, mas também é uma questão de políticas públicas e dos profissionais. As vezes uma micose entre o dedos (tínea pedis), um calo ou uma fissura são portas de entrada para processos infecciosos, que podem culminar com a amputação. Isso pode ser diferente!!

Quantos pacientes passam em consultórios de um profissional de saúde e têm seus pés examinados? Analise você mesmo que está lendo esse texto, se for diabético ou tem familiar, se isso acontece. Ou seja, há negligência de inúmeras partes. É preciso envolvimento dos profissionais, do governo e pessoal. Cada pessoa tem que se empoderar, assumir o comando do seu próprio corpo, controlar sua doença e quem sabe até se curar, se um grande investimento em mudanças no estilo de vida fosse feito, a começar pelos hábitos alimentares. O bom e velho Hipócrates (falecido em 377 a.C.) já dizia:

“Que a comida seja teu alimento e o alimento tua medicina.”
“Tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão suas doenças.”
“A cura está ligada ao tempo e, às vezes, também, às circunstâncias.”

Enfim, apenas uma digressão, mas um pano de fundo para esclarecer porque tenho uma missão, chamada PodiatriCare. Engajar profissionais enfermeiros e também acadêmicos para voltar seu interesse nessa área, porque com PodiatriCare é possível:

  • Salvar pessoas e seus pés – os pés são os que nos conduzem pela vida;
  • Ampliar os horizontes profissionais para atuação como empreendedor nos cuidados podais => autonomia profissional.

Há muitos pés de diabéticos. Veja a triste estimativa para 2030:

“By 2030, the global estimate is expected to rise to over 552 million – 9.9 % of the adult population.”

Há muitos pés de diabéticos, mas não é apenas para o diabético que um enfermeiro pode oferecer seus cuidados. O seu público alvo é qualquer pessoa com necessidades de cuidados na pele e seu anexo unha, como exemplo:

  • Distrofias das unhas de qualquer ordem – temos como tratar com as técnicas padrão, seja nos pés ou nas mãos
  • Onicomicose – oferecemos tratamento de ponta com laser para realizar a terapia fotodinâmica (TFD). Essa intervenção não tem efeito sobre o fígado de ninguém, como pode ocorrer com as drogas padrão
  • Se já tiver lesões de pele – temos um arsenal de tecnologias para ajudar na cura do ferida. E investir para nunca mais ter
  • Temos um ouvido afinado para escutar – a cadeira é bom lugar para relaxar e poder falar de si mesmo
  • Temos uma mão muito habilidosa para manejar a pele e seu anexo unha – a mão do enfermeiro não é automática e mecânica, ela segue o raciocínio clínico acumulado em sua formação acadêmica, especializada e de educação continuada

Então, se você é uma pessoa que está precisando de cuidados nessa área, tenho uma prescrição: PodiatriCare vinculado a um profissional enfermeiro.

Se você é enfermeiro e está procurando um novo rumo para sua vida profissional, eu também tenho uma prescrição educativa: PodiatriCare. Sua autonomia e receita de sucesso. Faça curso conosco. Temos anos de experiência no ramo.

Para atendimento, conheça os afiliados na PodiatriCare. Um grupo de enfermeiros empreendedores engajado comigo para promover a Podiatria Clínica.

Nos ajude com essa missão. Compartilhe nosso texto.

Obrigada,

Dra Beatriz Farias Alves Yamada
Estomaterapeuta – COREn 49.517
Proprietária do IBYamada
WhatsAap: 11 99609 4381